Ser albino em países africanos pode ser bastante arriscado. Na Tanzânia, por exemplo, ter a pele alva e os cabelos amarelos é um terrível pesadelo, sinônimo de uma vida marginal, marcada por perseguições e fugas.
Diversas lendas cercam os albinos na África. Os feiticeiros dizem que eles têm poderes mágicos. Muitas pessoas acreditam que várias partes do corpo de uma pessoa albina são ingredientes preciosos para produzir porções, que curam doenças e atraem riquezas. Outra lenda diz que ter relações sexuais ou beber o sangue de um albino cura a AIDS.
Nos últimos anos, centenas de albinos foram mortos ou mutilados. As mortes acontecem por superstições ou puro preconceito, visto que ter um albino na comunidade é sinônimo de “má sorte”. Já as mutilações são feitas a fim de suprir o mercado ilegal da feitiçaria. Partes do corpo podem valer pequenas fortunas. As mães de crianças albinas geralmente são abandonadas pelos pais e obrigadas a criar os filhos sozinhas, por vezes, sem as mínimas condições, o que os deixam suscetíveis a esses bandidos.
Outro fator preocupante é o sol que castiga a pele extremamente branca. A maioria dos albinos africanos já sofreu com algum tipo de câncer na cútis. Alem da pele, os olhos são mais sensíveis e também necessitam de cuidados especiais. Organizações não governamentais atuam em países como a África do Sul e Quênia, doando protetor solar, ensinando como evitar feridas na pele e auxiliando os que estão com queimaduras e carcinomas. Porém, a maior parte dos que sofrem com doenças de pele ainda estão sem nenhuma espécie de ajuda e seguem improvisando alguma forma de proteção.
O problema é maior do que se possa imaginar. Devido a fatores genéticos, os povos africanos têm maior probabilidade de gerarem crianças albinas. Uma em cada grupo de 2 a 4 mil crianças que nascem na África é albina. Essa probabilidade é de 4 a 8 vezes maior do que em outros povos e raças. Na Tanzânia estima-se que 150 mil pessoas sejam albinas, país com a maior incidência no continente. Milhares vivem escondidos em aldeias ou em abrigos patrocinados pelo governo e pela ajuda internacional.
(MCM Povos)


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