“ Deus se move de forma misteriosaPara realizar suas maravilhas;
Ele imprime suas pegadas no mar,
E cavalga sobre a tempestade.
Fundo, em minas imensuráveis
De habilidade que nunca falha,
Ele entesoura seus desígnios brilhantes
E opera sua vontade soberana.
Vós, santos medrosos, renovai a coragem!
As nuvens que tanto temeis,
São grandes em misericórdia, e irromperão
Em bênçãos sobre vossas cabeças.
Não julgue o Senhor com débil entendimento,
Mas confie nele para sua graça.
Por trás de uma providência carrancuda,
Ele oculta uma face sorridente.
Seus propósitos amadurecerão rapidamente,
Desvendando-se a cada hora;
O botão pode ter um gosto amargo,
William Cowper - poeta do século dezoito - nasceu em 1731 e morreu em 1800. Viveu durante a Revolução Americana e a Revolução Francesa. Seguiu carreira no Direito apenas para satisfazer a vontade do pai. Sua vida foi marcada por perdas e questionamentos. Sua mãe morreu quando ele tinha 6 anos de idade. Ele não mantinha um bom relacionamento com o pai e não teve seu casamento concretizado.
Talvez, essas enumerações justifiquem o alto grau de depressão a qual Cowper era submetido. Assim descreveu sua primeira angústia: “ Eu fui golpeado com um tal abatimento de espírito, que somente aqueles que o experimentaram, podem ter a menor idéia do que significa. Dia e noite eu estava extremamente angustiado, deitando-me aterrorizado e levantando-me em desespero. Perdi de vez o gosto pelos estudos, aos quais eu era antes tão apegado; os clássicos não tinham mais qualquer encantamento para mim; eu precisava de algo mais salutar do que divertimento, mas não tinha ninguém que pudesse me guiar onde achá-lo. “
Não é fácil compreendermos os propósitos divinos quando nossa alma está angustiada. Mas a ajuda para Cowper escapar de tal tristeza, foi o poema de George Herbert (1593-1633). A interpretação do poema ilustra a forma singular de como Deus retira o descanso de nossas almas para que o desassossego nos lance em seu peito.
“ Tendo um copo de bênçãos ao lado; “Vamos”, ele disse, “derramar nele tudo o que pudermos;
Que as riquezas do mundo, que jazem dispersas, se contraiam numa única medida.”
Assim, a força, primeiramente, abriu caminho;
Então, a beleza a seguiu; e aí, sabedoria, honra, prazer;
Quando quase tudo estava fora, Deus parou, percebendo
Que, de todos os seus tesouros, somente o descanso estava no fundo.
“Se eu”, disse ele, “Conceder também esta jóia à minha criatura,
Ela vai adorar meu presentes em vez de me adorar,
E descansar na Natureza, e não no Deus da natureza:
E assim, ambos sairemos perdendo.”
“Mesmo assim, que ele receba o descanso,
Mas mantenha-o com impaciência descontente;
Que ele seja rico e fatigado, para que, no mínimo,
se ele não for guiado pela bondade, a fadiga o lance ao meu peito. “
Ultimamente, tenho me deleitado na leitura de John Piper, especificamente no livro O sorriso escondido de Deus. Ele trata dos frutos das aflições de homens como William Cowper, que mesmo diante de tanto pesar, conseguiram vislumbrar o sorriso divino. Uma das maiores dádivas do cristianismo é a certeza de que temos um refúgio. Um cristão, apesar das adversidades da vida, não entende em sua totalidade o que é solidão. A fé nos induz a buscarmos uma esperança “divinificada” na figura de Deus. Quando nos submetemos a esta esperança, instantaneamente, obtemos paz, incomparável paz. Nos assegurarmos disso, faz com que tenhamos uma vida diferente, pois, depositamos fé e esperança em um ser ilimitado, soberano, eterno, que vê além do olhar humano, que tem nossos dias escritos e determinados... Assegure-se dessa paz, busque a Deus.